Em novembro de 2016 fui sozinha para o Uruguay, fiquei dez dias passeando por lá e visitei seis cidades, as quais estão pormenorizadas em posts específicos sobre cada uma delas: Colonia del Sacramento, Montevideo, Piriápolis, Punta del Este (com visita à Casapueblo), Cabo Polonio e Punta del Diablo (com visita ao Parque Nacional e Fortaleza de Santa Teresa). Há também um post com detalhes do meu roteiro (inclusive gastos) e outro com algumas informações úteis para o viajante que quer conhecer o país.

Esse post diz respeito ao meu quinto (e preferido!) destino no Uruguay: Cabo Polonio. Após passar um dia em Punta del Este, segui rumo a Cabo Polonio, que é uma vila litorânea isolada e rústica com ruas de areia, construções simples, sem postes de iluminação e a energia elétrica fica disponível por períodos específicos ao longo do dia, na hospedagem em que fiquei, por exemplo, a energia era liberada entre 12h e 16h e depois novamente das 20h às 24h. Com relação ao clima, houve momentos ensolarados, nublados, chuvosos, porém o frio esteve sempre presente durante os dois dias de minha estadia e também ventos congelantes (em plena primavera), principalmente à noite, e devo dizer que sou uma pessoa que não sente frio com facilidade, então te aconselho a levar pelo menos um agasalho mais quente. Dizem que o céu de Cabo Polonio é incrivelmente estrelado, mas, infelizmente, não tive a oportunidade de contemplar tal maravilha, pois ambas as noites em que estive por lá o céu estava nublado. 

Não é tão simples chegar em Cabo Polonio, mas vale muito a pena conhecer. O meu primeiro passo rumo a Cabo foi ir até o Terminal Rodoviário de Punta del Este e entrar no ônibus da COT em direção à cidade de Castillos (310 pesos = 39 reais), pois não havia ônibus direto para o meu destino, em seguida, já em Castillos, comprei passagem da empresa Rutas del Sol para Cabo Polonio (56 pesos = 7 reais). Ao chegar na rodoviária de Cabo, o visitante deve comprar as passagens de ida e volta (200 pesos = 25 reais) e então embarcar no pau-de-arara/jardineira, o qual é um caminhão adaptado que leva os passageiros até a vila em um percurso de 7 km formado por areia e dunas. Mesmo quem vai com veículo próprio deve deixá-lo no estacionamento e seguir para a vila com o pau-de-arara ou a pé, pois trata-se de um Parque Nacional e somente transportes autorizados podem circular pela região. O serviço realizado por esses caminhões funciona o dia todo e há vários horários disponíveis, tanto para ir quanto para voltar, e o ponto de embarque e desembarque na vila é feito na Praça Central. Resumindo, para chegar ao meu destino precisei fazer o seguinte trajeto: Punta del Este > Castillos > rodoviária de Cabo Polonio > pau-de-arara até a vila.

Cheguei à vila de Cabo Polonio por volta das 15h do dia 16/11/2016 e fui embora no dia 18 às 11h da manhã. Eu tinha planejado passar apenas uma noite por lá, pois a vila é bem pequena e é possível conhecer tudo em um único dia (inclusive no esquema bate e volta), porém me apaixonei pelo lugar e decidi curtir um pouco mais aquela atmosfera envolvente. A simplicidade, tranquilidade, sossego e forte contato com a natureza que Cabo Polonio proporciona desperta sentimentos inexplicáveis. Eu poderia ficar horas tentando descrever as impressões e sensações que tive nesses dois dias, mas Cabo Polonio é um lugar único que deve ser sentido e não explicado, então digo apenas para você ir de coração aberto e ter a sua própria vivência nesse lugar encantador e especial.

Decidi não reservar hospedagem antecipadamente, pois fui fora de temporada e sabia que seria fácil encontrar vaga, mas se você for em datas movimentadas ou época de alta temporada aconselho a reservar antes. Eu tinha feito pesquisas prévias na internet sobre as hospedagens e também obtive uma dica do guia turístico de Punta del Este, que me disse que o Hotel La Perla del Cabo era um dos únicos que tinha um pouco mais de conforto e água quente para banho em qualquer momento do dia, porém ele não sabia valores, então ao chegar em Cabo Polonio, desci na Praça Central e fui até o La Perla. Após conhecer o hotel, fiquei encantada com o charme do mesmo, a simpatia dos funcionários e a localização (quase dentro do mar, literalmente) e perguntei o valor da diária (80 dólares em quarto duplo com banheiro privativo e café da manhã incluso), apesar do preço elevado, decidi passar minha estadia lá. O quarto apresentava uma decoração de bom gosto, havia uma vela para acender nas horas em que não tinha energia elétrica e a chave do quarto continha uma lanterninha para que o hóspede pudesse se guiar em meio a escuridão da noite. O café da manhã era excelente com várias opções para o desjejum e era servido em um ambiente com vista para o mar. Na área externa havia uma ampla varanda com cadeiras de frente para a praia e era uma delícia sentar ali e ficar observando as ondas do mar, as gaivotas e os patinhos que nadavam. Esse hotel (considerado 5 estrelas para os padrões da vila) era o lugar ideal para mim naquele momento, pois eu queria desacelerar o ritmo, curtir a minha própria companhia e ter um local tranquilo e sossegado para descansar, além de ter banheiro privativo e aceitarem cartão de crédito (!).

Após resolver a questão da hospedagem saí sem rumo para explorar a região. Andei pelas rochas e inúmeras conchas que formavam um tapete e se encontravam com o mar, observei o farol (porém não pude subir, pois estava sendo pintado por dentro e consequentemente fechado para visitas), contemplei os leões marinhos (que ficam em rochas localizadas atrás do farol), em seguida subi a pequena colina e pude ver toda a vila, bem como o mar em ambos os lados da península e as dunas, por fim desci até a praia (Playa Sur) para tentar assistir ao pôr do sol, porém não foi possível (estava nublado).

No segundo dia de manhã caminhei pela praia (Playa Norte, também conhecida como Playa La Calavera) em direção às dunas e subi em uma delas, depois voltei para a vila para almoçar, em seguida fui novamente observar os leões marinhos e então começou a chover, voltei para o hotel, sentei na varanda e fiquei observando o mar (Playa Norte) e os animais que ali brincavam. Após a chuva parar andei mais um pouco pela região e então fui até a Playa Sur a fim de assistir ao pôr do sol (deslumbrante!). Na manhã seguinte caminhei um pouco pela Playa Sur e às 11h fui para a Praça Central esperar pelo pau-de-arara, pois estava na hora de ir embora de Cabo Polonio (infelizmente!).

O Hotel La Perla del Cabo também possui restaurante/bar e foi onde jantei nos dois dias de minha estadia (por volta de 550 pesos uruguaios cada refeição completa = 70 reais). Para almoçar fui até o restaurante Lo de Dani’s e gastei 340 pesos uruguaios (43 reais). À tarde resolvi comer uma empanada de carne e uma torta doce (100 pesos = 13 reais) em um dos estabelecimentos dedicados à gastronomia que há em Cabo Polonio.

Para quem quiser economizar sugiro levar comida, pois a alimentação em Cabo Polonio não é das mais baratas. Na verdade, embora o lugar seja simples e rústico, os preços como um todo não são tão camaradas (nem mesmo em hostels). Há também a opção de se hospedar em cidades vizinhas e ir passear em Cabo Polonio (bate e volta), porém eu particularmente acredito que para ter a vivência completa a pessoa deveria passar pelo menos uma noite na vila. Mas o que importa mesmo é ter a oportunidade de conhecer e estar nesse lugar tão especial.

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Obrigada e aguardo a sua próxima visita!