Em meados de março de 2016 decidi que queria conhecer um lugar novo, como ninguém poderia ir comigo resolvi então viajar sozinha pela primeira vez e no dia 31 de março passei por essa experiência (quatro dias sem nenhum conhecido por perto). Após ter tomado a decisão de viajar sozinha, o primeiro lugar que veio à minha mente foi Maresias (litoral norte de São Paulo), pois não o conhecia ainda e sempre ouvi maravilhas de lá. Foi a partir desse momento que tomei gosto pelas pesquisas na internet relacionadas às viagens, uma vez que descobri um novo mundo de informações valiosas e úteis a qualquer viajante.

Minha primeira ação foi pesquisar horários de ônibus da minha cidade no interior paulista até São Paulo, em seguida procurei opções de transporte do Terminal Tietê até Maresias e descobri que a empresa Litorânea fazia esse trajeto. Posteriormente foi a vez da hospedagem, entrei no site TripAdvisor, busquei por hostels, li os comentários, analisei as fotos dos viajantes, conferi a localização, entrei no site de cada hostel e, para mim, a melhor opção foi o “Maresias Hostel – Pousada San Sebastian”.

Depois de todas as pesquisas estarem concluídas, comecei a colocar a operação “viajar sozinha” em prática, para tanto liguei no hostel, tirei algumas dúvidas e no mesmo dia fiz a transferência bancária com o valor total da estadia (se você preferir pode transferir/depositar 50% do valor e pagar o restante no check-in). Em seguida fui até a rodoviária de minha cidade e comprei as passagens de ida e volta referentes ao trecho até São Paulo, as passagens da Litorânea foram compradas no Terminal Tietê no dia em que cheguei, mas há a opção de comprar pelo site.

No referido dia, o ônibus saiu às 2h50min de minha cidade, por esse motivo resolvi não dormir na noite anterior (cochilei no trajeto até São Paulo). Cheguei ao Terminal Tietê por volta das 7h e o próximo ônibus para Maresias sairia às 10h30min, portanto eu tive bastante tempo para comer, andar pelo local, entrar em diversas lojas, ler o livro que levei e resolver alguns dos desafios de lógica da minha revistinha Coquetel, sempre atenta ao que acontecia ao meu redor (nunca se sabe, né?!). No horário determinado entrei no ônibus da Litorânea e lá permaneci por aproximadamente 5 horas, pois houve inúmeras paradas durante o trajeto, nesse percurso não consegui dormir muito, então aproveitei para ler mais um pouquinho e resolver meus desafios de lógica. Almocei o lanchinho natural que comprei na rodoviária.

Finalmente cheguei ao meu destino, o ônibus parou em frente ao cemitério de Maresias e só tive que andar uns cinco minutos até o hostel. Fiquei em um quarto compartilhado feminino (5 pessoas) com banheiro privativo (bem pequeno), havia dois beliches e uma cama de solteiro, tomada individual e armário para cada hóspede, porém não tinha ar-condicionado, o que foi um incômodo devido ao calor e a enorme quantidade de pernilongos, mas enfim, o valor da diária era excelente e fiquei com a cama sob o ventilador de teto, o que ajudou a amenizar o calor. Adorei as minhas companheiras de quarto e fiz amizade com uma delas, que me acompanhou durante toda a minha estadia. Essa também foi minha primeira vez em um hostel e aprovei a experiência!

A praia é simplesmente maravilhosa, com areia branquinha e água límpida, sem contar que admirar as montanhas que cercam a praia é um show à parte, elementos estes que criam uma paisagem de tirar o fôlego. Na época em que estive por lá o mar estava agitado, mas tomando os devidos cuidados é possível aproveitar com segurança e havia também salva-vidas nas áreas com maior número de pessoas. Passei os dias na praia, deitada na areia (alternando entre sol e sombra), dentro do mar e caminhando pela orla, não fiz nenhum passeio extra.

Almocei dois dias em Maresias e as duas vezes fui ao restaurante Kaloo Kawana, local em que é oferecida comida caseira simples, mas muito saborosa, no estilo self-service (por quilo), gastei aproximadamente 24 reais por refeição com comida, bebida e sobremesa. Tive três jantares em Maresias, no primeiro dia fui no “Os Alemão” (pois é, o nome é assim mesmo), no segundo experimentei o “Empanadas Tucumanas” e no último estive na “Parada do Alê”. “Os Alemão” é um restaurante à beira-mar com valores mais elevados e refeições à la carte (comi filé mignon à parmegiana), “Empanadas Tucumanas” é um estabelecimento que serve empanadas salgadas e doces com valores variados acima de 10 reais e a “Parada do Alê” vende vários tipos de alimentos, como açaí, sorvetes, lanches, sucos, bolos e salgadinhos industrializados. Não posso deixar de comentar sobre o lanche que pedi na “Parada do Alê”, pois foi o melhor x-egg que já comi, o qual foi feito com ingredientes caseiros, desde o pão até o molhinho de alho delicioso que é colocado no lanche. Os três estabelecimentos localizam-se na avenida principal de Maresias, onde está grande parte do comércio.

Maresias 47
Empanada doce

Como fui fora de temporada, a região estava tranquila e agradável, porém durante a semana muitos estabelecimentos estavam fechados e também não pude conhecer as duas baladas famosas de lá (Sirena e Parador), pois não funcionaram no final de semana em que estive em Maresias. Na última noite (sábado) houve uma apresentação musical na praça com uma banda local (adorei!) e as barraquinhas de artesanato estavam abertas. No dia seguinte, ao meio-dia, peguei o ônibus de volta a São Paulo no mesmo ponto onde havia descido quando cheguei a Maresias (no cemitério) e às 22h30min eu estava em minha casa.

Gastos:

  • Hospedagem: R$139,00 (3 diárias com delicioso café da manhã).
  • Ônibus – Danúbio Azul (interior até São Paulo): R$133,60 (ida e volta).
  • Ônibus – Litorânea (São Paulo até Maresias): R$100,85 (ida e volta).
  • Alimentação por quatro dias inteiros: R$270,00 (não economizei nessa parte!).
  • Compras extras: R$5,00 (pulseira em uma das barraquinhas de artesanato na praça).

Para finalizar o post deixo uma reflexão para quem está com receio de viajar sozinho(a) pela primeira vez: ficar com medo do que não conhecemos é normal, mas esse sentimento não pode comandar as nossas ações e interferir no que desejamos, o medo que deve existir é o de alerta (aquele que nos faz ficar atentos e tomar cuidado) e não o que paralisa e impede de viver. O ato de viajar sozinho nos possibilita crescer enquanto seres humanos e traz uma maravilhosa sensação de independência e liberdade, além do autoconhecimento, ao mesmo tempo em que conhecemos diferentes culturas, pessoas, lugares, experimentamos novos sabores e outras realidades (objetivos de todo viajante, não é?!). Minha dica para começar é escolher um lugar próximo à sua cidade e ficar por poucos dias, pois assim você ganhará confiança e se sentirá mais seguro para alçar voos mais altos.

Obrigada e aguardo a sua próxima visita!